Como usar o faturamento de cartão para vender mais

Mateus Araújo · 28 de novembro de 2025

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O novo padrão das garantias digitais no B2B

Vender a prazo no Brasil sempre foi um desafio. A confiança - muitas vezes a única “garantia” de pagamento - raramente é suficiente para sustentar o pagamento pontual das vendas realizadas, especialmente em relações B2B.

Os modelos tradicionais de garantia, como imóveis, avais ou fiadores, partem de patrimônio passado, exigem avaliações longas e custosas e não acompanham o ritmo do comércio moderno.

O resultado é um paradoxo conhecido: empresas com bom potencial de pagamento, vendas recorrentes e operação saudável, mas com acesso limitado a crédito por falta de garantias tradicionais.

A boa notícia é que esse cenário mudou. O faturamento de cartão de crédito e débito passou a poder ser utilizado como uma garantia digital eficiente, líquida e juridicamente protegida.

Por que considerar o faturamento de cartão como garantia?

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Nos últimos anos, o Banco Central do Brasil promoveu mudanças estruturais no mercado de pagamentos. Os recebíveis de cartão passaram a ser registrados de forma centralizada, com regras claras de titularidade e proteção jurídica.

Na prática, isso significou reconhecer que o recebível pertence ao estabelecimento comercial - e não à credenciadora ou à subcredenciadora.

O efeito foi imediato. Um instrumento de crédito antes restrito ao sistema financeiro passou a estar ao alcance de fornecedores e distribuidores. O faturamento de cartão deixou de ser apenas fluxo de caixa futuro e passou a funcionar como garantia digital.

Quando um cliente vende no cartão, o valor dessa venda passa a ser registrado de forma visível e esse ativo pode ser utilizado como garantia em transações comerciais de forma simples e rápida.

A lógica é direta: se o comprador tem fluxo recorrente de vendas no cartão, existe uma garantia de pagamento.

Como funciona na prática

O modelo é mais simples do que parece:

  1. O cliente autoriza a consulta e o uso dos recebíveis de cartão como garantia;
  2. O fluxo de vendas no cartão é registrado por um agente autorizado;
  3. Em caso de inadimplência, os valores são redirecionados diretamente ao credor - sem a necessidade de processos judiciais longos.

Esse formato reduz custos, elimina burocracia e torna o crédito mais acessível e seguro para empresas que possuem volume consistente de vendas no cartão.

Vantagens de usar faturamento de cartão como garantia

Não serve apenas para recuperar pagamentos. Trata-se de uma ferramenta estratégica de crescimento, que permite:

  • Maior segurança na concessão de crédito, reduzindo o risco de inadimplência;
  • Expansão de limites, com menor exposição ao risco;
  • Menos burocracia, ao evitar avaliações complexas e litígios;
  • Preservação do relacionamento comercial, sem cobranças agressivas; e
  • Mais foco no crescimento, com liberação de capital de giro para vendas e operações.

Empresas que já adotaram esse modelo protegem suas vendas e identificam novas oportunidades de crédito seguro.

Garantia digital como diferencial competitivo

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Em vez de desgastar a relação comercial com negativas recorrentes de aumento de limite, cobranças insistentes ou litígios judiciais, a garantia digital inaugura uma lógica mais eficiente e colaborativa. Garantia deixa de ser patrimônio imobilizado e passa a ser fluxo - o movimento contínuo de vendas que sustenta o negócio.

Com uma garantia sólida baseada em recebíveis de cartão, fornecedores e distribuidores ampliam de forma significativa sua capacidade de conceder crédito com segurança. Isso se traduz, na prática, em ganhos claros:

  • Aumento do ticket médio, ao permitir limites de crédito maiores para clientes com histórico consistente de recebíveis;
  • Expansão da base de clientes, com condições de pagamento mais flexíveis e atrativas, inclusive para empresas que não se encaixariam nos modelos tradicionais de análise, mas apresentam fluxo saudável de vendas;
  • Fidelização, ao oferecer soluções de crédito menos burocráticas, que fortalecem a recorrência e a lealdade;
  • Redução da inadimplência, liberando capital de giro antes comprometido com dívidas não pagas; e
  • Vantagem competitiva, ao adotar um modelo moderno enquanto o mercado ainda se apoia em garantias tradicionais.

Nesse contexto, a garantia digital não serve apenas para proteger pagamentos. Ela alinha interesses. O fornecedor ou distribuidor ganha previsibilidade e segurança; o cliente ganha acesso a mais crédito e melhores condições. É uma via de mão dupla que fortalece a parceria comercial e sustenta o crescimento ao longo do tempo.

Conclusão

No Brasil atual, garantir crédito já não precisa significar recorrer a imóveis ou fiadores. O faturamento de cartão se consolidou como uma garantia robusta, eficiente e juridicamente bem estabelecida - uma forma inteligente de transformar fluxo de vendas em crédito operacional.

Para empresas que vendem a prazo no B2B, essa abordagem não apenas mitiga riscos, como cria oportunidades para vender mais, ampliar limites e fortalecer relações comerciais.

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